'soon this space will be too small and I'll laugh so hard that the walls cave in then I'll die three times and be born again in a little box with a golden key and a flying fish will set me free ... soon this space will be too small and I'll go outside and I'll go outside'... lhasa de sela
"Do you mean that you think you can find out the answer to it?” said the March Hare.
“Exactly so,” said Alice.
“Then you should say what you mean,” the March Hare went on.
“I do,'” Alice hastily replied; “at least-at least I mean what I say-that's the same thing, you know.”
“Not the same thing a bit!'" said the Hatter. “You might just as well say that ‘I see what I eat’ is the same thing as ‘I eat what I see’!”
“You might just as well say,” added the March Hare, “that ‘I like what I get’ is the same thing as ‘I get what I like’!'”
“You might just as well say,'” added the Dormouse, who seemed to be talking in his sleep, “that ‘I breathe when I sleep’ is the same thing as ‘I sleep when I breathe’!'”
“It IS the same thing with you,” said the Hatter, and here the conversation dropped, and the party sat silent for a minute, while Alice thought over all she could remember about ravens and writing-desks, which wasn't much.
Alice's Adventures in Wonderland CHAPTER VII - A Mad Tea-Party, Lewis Carroll
não me sai da cabeça...]
Everybody rolls with their fingers crossed
Everybody knows that the war is over
Everybody knows the good guys lost
Everybody knows the fight was fixed
The poor stay poor, the rich get rich
That's how it goes
Everybody knows
Everybody knows that the boat is leaking
Everybody knows that the captain lied
Everybody got this broken feeling
Like their father or their dog just died
Everybody talking to their pockets
Everybody wants a box of chocolates
And a long stem rose
Everybody knows
Everybody Knows, Leonard Cohen by Rufus Wainwright
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill
[Caixa de velocidades]*

Ponto Morto
Quando no ventre da mãe a semente que cresce já diz: deixa-me ficar só mais um bocadinho.
Primeira
Se chora é porque está viva.
Segunda
Cai do berço, aprende a dizer pai e mãe, vai para a escola e dizem-lhe como se mete o mundo numa folha de papel.
Terceira
Quando o coração pronuncia, pela primeira vez, a paixão que a pele declama.
Quarta
Colisão a grande velocidade. Choque frontal. Pensa que está morta, a semente, mas o Dr. House não deixa. Cabrão!
Quinta
A tragédia do amor representada no palco da morte. A comédia da morte representada no palco do amor.
Marcha-Atrás
Regressa ao ventre da mãe, de onde só saiu para poder dizer: deixa-me ficar só, mais um bocadinho.
*Henrique Manuel Bento Fialho, na Minguante nº4
[O poeta beija tudo, graças a Deus... E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade...
E diz assim: "É preciso saber olhar..."
E acha que tudo é importante...
E escreveu uns versos que começam desta maneira:
"O segredo é amar..."]
Desanimam-me os radicalismos, alegram-me os debates civilizados.
Não.
- Os argumentos do Sim sustentam-se nas suas premissas?
Não.
- Alguma das posições apresentadas se sustenta em argumentos racionalmente válidos, neste sentido, capazes de excluir os argumentos contrários?
Não.
-Analisados os argumentos que sustentam as duas posições podemos afirmar que, na generalidade, ambos se sustentam em sentimentos e predisposições subjectivas?
SIM.
- A lei existente no nosso país é absolutamente inconsistente?
SIM.
- Do reduto da minha subjectividade - pergunto e respondo, alterar a actual lei possibilita uma mudança neste estado de coisas?
SIM.



"Tenho que escolher o que detesto - ou o sonho,
que a minha inteligência odeia,
ou a acção, que a minha sensibilidade repugna;
ou a acção, para que não nasci, ou o sonho, para que ninguém nasceu.
Resulta que, como detesto ambos, não escolho nenhum;
mas, como hei-de, em certa ocasião,
ou sonhar ou agir,
misturo uma coisa com outra."
Livro do Desassossego, composto por Bernardo Soares,
ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa
“As years go by
All the feelings inside
Twist and they turn
As they ride with the tide
I don't advise
And I don't criticise
I just know what I like
With my own eyes
Sometimes”
“Did I disappoint you
Or leave a bad taste in your mouth?
You act like you never had love
And you want me to go without
Well, it's too late
Tonight
To drag your past out
Into the light”
“Well, I got us on a highway and I got us in a car
got us going faster than we've ever gone before
I got us on a highway and I got us in a car
got us going faster than we've ever gone before”
Sometimes interpretation sucks!
''Logo,'' disse o vento que o seguia para casa.
''Quem?'' disse a nuvem que começou a chorar.
''Eu,'' disse o cavaleiro, tão seco como um osso.
''Quem?'' disse o sol que derreteu a terra.
''Porquê?'' disse o rio que se recusou a correr.
''Onde?'' disse o trovão sem um som.
''Aqui,'' disse o cavaleiro, e levantou a sua arma.
''Não,'' disseram as estrelas à lua no céu.
''Não,'' disseram as árvores que começaram a lamentar.
''Não,'' disse a poeira que cegou os olhos.
''Sim,'' disse o cavaleiro, tão branco quanto um osso.
''Não,'' disse a lua que se levanta do sono.
''Não,'' disse o clamor do pôr-do-sol.
''Não,'' disseram os planetas que começaram a chorar.
''Sim,'' disse o cavaleiro, e baixou a sua arma.
Um, dois, três, quatro.
Mãos limpas e mãos sujas
Olhos castanhos e azuis...
in, "the proposition", Nick Cave
Soquetes, meias, collants,
pantacollants...whatever...
de cor azul turquesa, lisas, de lã,
com dedos,
sem dedos,
às riscas, brancas, pretas,
15 dens, sem costuras,
verde azeitona, encarnadas,
com costura, cizentas às flores,
aos quadrados, lilás, rosa,
de malha, em microfibra..., ..., ...
Soquetes, meias, collants, pantacollants...whatever...

Imagens, catálogo winter 06/07 Calzedonia

"não procures mais o teu caderno de geografia
eu tirei-o da tua mochila..."
Jairo Anibal Nino, tradução e interpretação de Changuito
ouvir "a alegria de gostar" aqui

[Sentei à minha mesa
os meus demónios interiores
falei-lhes com franqueza
dos meus piores temores]*
tratei-os com carinho
pus jarra de flores
abri o melhor vinho
trouxe amêndoas e licores
chamei-os pelo nome
quebrei a etiqueta
matei-lhes a sede e a fome
dei-lhes cabo da dieta
conheci bem cada um
pus de lado toda a farsa
abri a minha alma
como se fosse um comparsa
E no fim, já bem bebidos
demos abraços fraternos
saíram de mansinho
aos primeiros alvores
de copos bem erguidos
brindámos aos infernos
fizeram-se ao caminho
sem mágoas nem rancores
Adeus, foi um prazer!
disseram a cantar
mantém a mesa posta
porque havemos de voltar.
Música Jorge Palma, letra Carlos Tê
*Aqui me confesso: com um especial agradecimento ao P. e à S. porque acreditam. Obrigada!
Visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado
tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
vem
ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
vem
antes que desperte em mim o grito
de alguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água
vem
com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te
Al Berto
[" Ama como a estrada começa. "]
Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento
Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal
Mário Cesariny de Vasconcelos (1923-2006)
[Untitled Post]*
*Fazes-me falta, Inês Pedrosa
Ok. Desta vez foi só uma ameaça.*
Poderás continuar a passear-te pela [minha] cozinha,
tocar nos [meus] tachos e tigelas,
utilizar o [meu] forno do pão.
Com nozes ou sem nozes,
com maior ou menor quantidade de sultanas...
continuas a ser o melhor padeiro que conheço!
Fa yeung nin wa [in the mood for love]
Slow motion feelings...
Su Li-zhen Chan: "You notice things if you pay attention."
...
Chow Mo-wan: "They went up a mountain, found a tree, carved a hole in it, and whispered the secret into the hole. Then they covered it with mud. And leave the secret there forever."
Há dias em que me apetece não ter entranhas...
Há dias em que me apetece ser animada pelo vento,
como se fosse um dos Strandbeesten de Theo Jansen.
Há dias em que gostava de ser uma criatura fantástica.
Seminário de antropologia filosófica, numa das salas da fcsh, N. F. abre A espuma dos dias do Boris Vian e lê o sublinhado no seu livro, (traduzindo directamente do francês):
“ A terra é estéril - disse o homem - sabe o que isso quer dizer: para a defesa do país são precisas matérias de primeira qualidade. No entanto, há muito tempo se verificou que os canos das espingardas só crescem regularmente e sem distorção se houver calor humano. Coisa que sucede, aliás, com todas as armas.
- Claro - disse Colin.
- Tem de fazer doze pequeninos buracos na terra – disse o homem - , repartidos pelo coração e pelo fígado, e depois deita-se em cima dela despido. Tapa-se com a cobertura de lã estéril que ali está, e procura libertar o calor perfeitamente regular.
(...)
- Crescem para baixo? - disse Colin.
- Sim, por baixo está iluminado - disse o homem. – Têm um fototropismo positivo mas crescem para baixo porque são mais densos que a terra, ilumina-se principalmente a parte de baixo, para não haver distorção.
(...)
- Utilizam mulheres? – perguntou Colin.
- Não podem fazer o trabalho – disse o homem. – Não têm o peito suficientemente chato para o calor se repartir de uma forma perfeita. Vou deixá-lo trabalhar.(...)”
Desta vez, curiosamente, também lá estavas, seguindo a leitura atentamente. O texto impresso nas páginas 170-171, o asterisco, a linha negra de carvão deixada pelo lápis. Tudo tão claro.
Há uns tempos, no programa Câmara Clara, a psicanalista Maria do Carmo Sousa dizia: “eles são um produto limpinho, purinho, como a água do luso”...eu disso não percebo nada, só sei que são sempre reais, muito reais.

"Quero uma vida em forma de espinha
num prato azul
Quero uma vida em forma de coisa
no fundo dum sítio sozinho
Quero uma vida em forma de areia nas minhas mãos
em forma de pão verde ou de cântara
em forma de sapata mole
em forma de tranglomanglo
de limpa-chaminés ou de lilás
de terra cheia de calhaus
de cabeleireiro selvagem ou de édredon louco
Quero uma vida em forma de ti
E tenho-a mas ainda não é bastante
Eu nunca estou contente."
Boris Vian
IVG
Deste lado, depois do que lemos e ouvimos, julgamos que existe "alguma confusão" em torno do problema:
“Não devemos confundir o problema ético do aborto com o problema essencialmente político de saber se (e em que termos) a lei deve proibir o aborto. Contudo, ainda que sejam distintos, estes dois problemas estão relacionados: o problema ético é o fundamental, o que não significa que podemos investigá-lo sem atender ao problema político, mas não fazer o inverso. A resposta correcta ao problema político depende crucialmente da resposta correcta ao problema ético. Se descobrirmos que o aborto não é eticamente errado, ficaremos sem boas razões para o proibir. Sob a hipótese da permissividade moral do aborto, manter ou tornar o aborto ilegal, penalizando quem o realiza, constitui uma restrição arbitrária à liberdade das mulheres. E se descobrirmos antes que o aborto é eticamente errado? Deveremos inferir que a lei deve proibi-lo? Aqui é preciso avançar com mais cuidado, já que seria absurdo afirmar que a lei deve proibir tudo aquilo que é imoral. No entanto, se descobrirmos que o aborto é errado do mesmo modo ou pela mesma razão que o homicídio é errado, dificilmente conseguiremos evitar a conclusão de que a lei deve colocar fortes restrições ao aborto.”
A ética do aborto - perspectivas e argumentos, organização e tradução de Pedro Galvão
Lei actual:
Lei n.º 90/97 de 30 de Julho (Altera os prazos de exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez)
A pergunta do referendo: «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?». Do lado de cá, entendemos que a questão nos interpela sobre a legitimidade do Estado para penalizar a mulher pela realização de aborto. Mas, também deste lado, podemos andar um pouco "confusos".
Paula Rego - sem título, da série sobre o aborto

para te manteres vivo - todas as manhãs
arrumas a casa sacodes tapetes limpas o pó e
o mesmo fazes com a alma - puxas-lhe brilho
regas o coração e o grande feto verde-granulado
deixas o verão deslizar de mansinho
para o cobre luminoso do Outono e
às primeiras chuvadas recomeças a escrever
como se em ti fertilizasses uma terra generosa
cansada de pousio - uma terra
necessitada de águas de sons de afectos para
intensificar o esplendor do teu firmamento
passa um bando de andorinhões rente à janela
sobrevoam o rosto que surge do mar - crepúsculo
donde se soltaram as abelhas incompreensíveis
da memória
luzeiros marinhos sobre a pele - peixes
que se enforcam com a corda de noctílucos
estendida nesta mudança de estação
Al Berto

traz notícias solarengas :)

obrigada Ana, bom trabalho!:)

"Last night I dreamed that I was dreaming of you And from a window across the lawn I watched you undress Wearing your sunset of purple tightly woven around your hair That rose in strangled ebony curls Moving in a yellow bedroom light The air is wet with sound The faraway yelping of a wounded dog And the ground is drinking a slow faucet leak Your house is so soft and fading as it soaks the black summer heat A light goes on and the door opens And a yellow cat runs out on the stream of hall light and into the yard A wooden cherry scent is faintly breathing the airI hear your champagne laugh You wear two lavender orchids One in your hair and one on your hip A string of yellow carnival lights comes on with the dusk Circling the lake with a slowly dipping halo And I hear a banjo tango And you dance in to the shadow of a black poplar tree And I watched you as you disappeared I watched you as you disappeared I watched you as you disappeared I watched you as you disappeared"



































