the baffled king composing hallelujah
[tonalidades, matizes e combinações] in me
'soon this space will be too small and I'll laugh so hard that the walls cave in then I'll die three times and be born again in a little box with a golden key and a flying fish will set me free ... soon this space will be too small and I'll go outside and I'll go outside'... lhasa de sela
the baffled king composing hallelujah

(ele: casas comigo outra vez?
eu: só se for descalça e com muito verde à volta (ah e troco o arroz e as pétalas por bolas de sabão!) ...mas desta vez largamos tudo e fugimos juntos para nunca mais voltar?
ele: sim!...)
...
e eu não vou atrás de mim?
...
isto fez-me lembrar outra conversa:
(...é o meu refúgio.
precisas de refugiar-te de quê?
de mim, sobretudo de mim!)
[dos rostos ou chamadas recebidas 1/7/2008 13:18:57 ]
sentada num canto da sala, ele do lado oposto encostado à janela. a sua postura era diferente da postura dos outros, parecia assistir e não fazer parte da peça. e apesar de ter deixado escapar um sorriso, as feições do seu rosto assustavam-na sem que ela conseguisse perceber porqu
ê.
vestia todo de preto e tinha umas mãos lindas, que teimava em esconder nos bolsos do longo sobretudo preto.
chegada a altura da selecção ela sentiu como se o momento fosse uma espécie de marcação de gado jovem com ferro em brasa – ‘todos menos ele’.
havia um pequeno alvoroço na sala, levantavam-se os escolhidos para deleite dos que escolhiam. quase alheada de tudo não parava de pensar (quase em forma de suplica) – ‘todos menos ele, todos menos ele’.
e ele discreto, pouco ansioso por escolher, ainda encostado ao parapeito da janela, escolhe duas raparigas. olha para o outro lado da sala aponta o dedo e diz: ‘tu.’ e ela: ‘quem, eu?’, ele: ‘sim tu.’, o corpo dela gelou, como se soubesse antecipadamente que havia qualquer coisa dela nele, pensou – ‘já está!’.
até hoje não se percebe muito bem quem escolheu quem, se ele a ela se ela a ele... houve escolha?...
ele não sabe que quando lhe diz que ela é especial, é absolutamente irrelevante em relação ao facto de ele o ser para ela, porque ela sabe que há qualquer coisa dela nele e isso basta. de qualquer modo, ‘há palavras que nos beijam’ e nos fazem muito bem quando nos sentimos muito cansados. obrigada pela disponibilidade 'padrinho'.
[ ]
as senhoras professoras, hoje presentearam-nos (a nós colegas, e à sôtora catedrática) com os seguintes mimos:
'depois vou interagir mais com o livro recomendado´;
'ela quer que aceitem-na como ela é';
' tem que haver uma certa coerência entre os pais e os filhos';
'não fui eu que concluí isto que aqui está, foi o que eu concluí do autor';
´na verdadeira ascensão da palavra';
e a colega d. (professora do 1º ciclo) que escreve 'reflessão' e 'intenxão' aquando a intervenção de outra colega sobre a importância do professor enquanto facilitador, diz: 'daí a importância da formação dos professores'.
Bravo colega, bravíssimo!!
saí de lá tão cansada, mesmo muito cansada...
no caminho para casa vim acompanhada pelo jorge palma na radar (ocorreu-me que poderia ser o momento em que seria salva. àquela hora, sem vermelhos na estrada de benfica, são 5 minutos da av. berna até casa! o só ocupou grande parte do percurso mas não foi suficiente).
quando cheguei o sr. a. tinha acabado de sair, veio entregar a encomenda da última revista: os escritos de frida kahlo.
posto isto, continuo a sentir-me muito cansada (o raio do medicamento provoca-me terríveis dores de cabeça!) e atrevo-me a dizer que me sinto decepcionada mas neste momento nem tenho coragem para pedir milagres!

e qual é o maior órgão do corpo?
a pele pois então...
apetece, não apetece?
do novo álbum Sigur Ros - Gobbledigook
Obrigada ao R. pelo email :)

photo daqui, via there's only 1 alice
titalú surripiado algures dos carapaus

1. Identity Statuses and Meaning-Making in the Turning Point Narratives of Emerging Adults;
2. A reconfiguração ontológica da hermenêutica § 7 e §§31 e 32 Ser e Tempo;
3. Projecto tese - Hannah Arendt e a proposta de separação entre política e educação.
ponto um, aparentemente realizável,
ponto dois, no limiar do absurdo,
ponto três, heresia total.
algures pelo meio: quatro aniversários, um casamento, leonard cohen, a defesa da tese do R., um daqueles fins de semana de resgate, o convite para o 42nd Montreux Jazz Festival, ah e também estava ironicamente previsto beirut no FMM, mas para manter o actual nível de sanidade talvez este panorama seja suficiente.
o meu lado delirante permite-me manter algumas virtudes, como a perseverança, por exemplo.

(...)
Assim como num dia de Verão as ondas se juntam, se levantam e caem; e o mundo inteiro parece estar a dizer "é só isto" cada vez com mais veemência, até que o próprio coração no interior do corpo deitado ao sol na praia diz também: é só isto.
Mrs Dalloway, Virginia Woolf




fragilidade e coragem. humana, demasiado humana.
eu aqui e tu longe, eu aqui, sozinha no meio desta gente, sentada contigo no pensamento, ao mesmo tempo em que leio e, heroicamente, sublinho: 'there is rust in my mouth, the stain of an old kiss'. eu aqui, selvaticamente presa a desejos e imagens que não posso partilhar, eu aqui e tu longe... you keep me waiting for the promise that is mine*
I have gone out, a possessed witch,
haunting the black air, braver at night;
dreaming evil, I have done my hitch
over the plain houses, light by light:
lonely thing, twelve-fingered, out of mind.
A woman like that is not a woman, quite.
I have been her kind.
I have found the warm caves in the woods,
filled them with skillets, carvings, shelves,
closets, silks, innumerable goods;
fixed the suppers for the worms and the elves:
whining, rearranging the disaligned.
A woman like that is misunderstood.
I have been her kind.
I have ridden in your cart, driver,
waved my nude arms at villages going by,
learning the last bright routes, survivor
where your flames still bite my thigh
and my ribs crack where your wheels wind.
A woman like that is not ashamed to die.
I have been her kind.
'o teu azul sobre o verde difuso salva-me, pelo menos por agora...'
(wondering how schizophrenic this sequence of posts can be?
... as much as i feel)

'e se, mesmo depois do fruto por inteiro, aquando a tua ausência, no meu corpo teimosamente persistir esta inscrição inacabada?'

*magnetized, laura veirs
[e sai um draft de 3/15/08]
edit post
[universo paralelo/narcótico ou ajudinha ao entorpecimento]
‘... And if a double-decker bus crashes into us to die by your side, is such a heavenly way to die and if a ten-tonne truck kills the both of us to die by your side well the pleasure, the privilege is mine… take me anywhere, I don't care, I don't care, I don't care’
os pensamentos flutuam entre o divórcio dos meus pais; a minha condição profissional; a venda da nossa casa; a segunda parte do seminário (60 minutos absolutamente intragáveis, entre testemunhos e momentos de auto promoção roubados à força pelos colegas ‘os profissionais do ensino’ aqueles que entram numa sala de aula todos os dias!!...); o telefonema que não fiz para partilhar o sonho da noite anterior: entre gargalhadas verdadeiramente sentidas, um dente partido e uma colher de arroz de feijão (estes sonhos pela sua peculiaridade estão todos devidamente registados...um dia quem sabe); as telas que me faltam terminar até ao final da semana; a consulta de terça-feira; tu que me esperas para jantar... o resto da vidinha, e o que não me apetece....não me apetece sentir, a continuar assim ainda cuspo o coração pela boca!!
pronto, poderia ter sido pior.
a sensação de que se pode morrer dentro de uma caixa de lata e vidro não é muito diferente da sensação de que se pode morrer quando tranquilamente lemos um livro ou contemplamos uma coisa bela... estamos sempre prontos para morrer... morreremos ponto. e nenhuma vida ou a hipótese de viver outra e outra vez anula esta terrível angústia de (im)possibilidade.
por aqui, ouve-se isto

um mapa antes da viagem (…)
Mas, afinal, foste tu que desenhaste mapas
nas minhas mãos
[SOIESILENCE]
“Poder-se-ia dizer que é uma história de amor, mas se fosse apenas isso não valeria a pena contá-la.Tem a ver com desejos e dores, que se sabe muito bem o que são, mas um nome verdadeiro para os dizer, não há. De qualquer forma, não é amor - isto é algo de antigo quando não há um nome para dizer as coisas, então usam-se histórias. (...)
Todas as histórias têm a sua música própria.
Esta tem uma música branca.
É importante dizê-lo porque a música branca é uma música estranha, às vezes desconcertante: toca-se baixinho e dança-se devagar.
Quando bem tocada é como ouvir tocar o silêncio, e os que a dançam como deuses parecem imóveis ao olhar. É algo sobremodo difícil a música branca. Mais a acrescentar não há.”
Alessandro Baricco
os percursos pedestres do Vale glaciário do Covão Grande e Vale glaciário de Loriga são lixados!
mas o que se segue só mesmo um visionário...

"Nunca tivemos tempo, não é, uns para os outros, e agora é tarde, estupidamente tarde, ficamos assim a olhar-nos, ausentes, estrangeiros, cheios de mãos supérfluas sem bolsos para ancorar, à procura, na cabeça vazia, das palavras de ternura que não soubemos aprender, dos gestos de amor de que nos envergonhamos, da intimidade que nos apavora. (...) Nunca é agora entre nós*, é sempre até domingo, até sexta, até terça, até ao próximo mês, até para o ano, mas evitamos cuidadosamente enfrentar-nos, temos medo uns dos outros, medo do que sentimos uns pelos outros, medo de dizer Gosto de ti."

Ingredientes: 500 g de seitan. ameixas pretas secas. vinho branco. sal, azeite e pimenta. 6 dentes de alho. 2 folhas de louro e alecrim
Abrir o naco de seitan como se fosse um livro, temperar a parte interna com sal e pimenta. Cozinhar as ameixas e o vinho durante 20 minutos. Retirar as ameixas e reservar o vinho, eliminar os caroços e colocar a fruta sobre o seitan, enrolando-o e amarrando-o. Colocar um pouco de azeite numa frigideira e dourar o seitan. Retirar e colocar numa travessa de forno. Regar com o vinho reservado, colocar os temperos por cima e levar a assar em forno médio por 1 hora. Servir em fatias regando com o molho.
e agora vou andando, au-devant de la neige qui tombe...

one last dance because springtime is coming!
Boa Páscoa.

há momentos em que só queria sentir [outra e outra vez], o calor e o cheiro da sua pele. aconchegar a sua cabeça no meu regaço nu e ficar. tentar abrandar a aridez da poeira do deserto. lembro-me, aqui e agora, do toque das minhas mãos nas suas.
‘as redes são passageiras arquitecturas da fuga’*
esta não é quem eu queria ser é quem sou.
* Jorge Palma
Ver-vos foi mais ou menos assim…

extraordinariamente comovente.
Gustav Klimt, The Three Ages of Woman, 1905 [detail]


descobri, via margarete, que este senhor actuará em Portugal dia 19 de Julho.
(oh mãezinha, e eu que já gastei o trunfo do SOS Health Care, and now?)
resta-me um golpe ferozmente baixo (por Leonard Cohen ao vivo vale tudo), então cá vai (que eu seja castigada se quero pressionar ou impressionar alguém):
mas por nove anos de dedicação, amor e carinho (trabalho árduo, portanto) esta seria uma recompensa à altura.
alice, por razões de natureza profissional e monetária não assistirá, a 21 de Abril, a isto:
porque o rasgo emocional será considerável,
foram tomadas medidas no sentido de atenuar os danos.
Assim, a 26 de Maio, assistirá a isto:
mas por uma questão de precaução,
alice deixa aqui o alerta (atenção aos mais preocupados com a sua saúde!)
para a necessidade de um reforço, isto é, assistir a 24 de Julho, a isto:



today is a teguerinta e teguês birthday boy :)
[You Can Never Hold Back Spring*]
You can never hold back spring
You can be sure, I will never stop believing
The blushing rose that will climb
Spring ahead, or fall behind
Winter dreams the same dream, every time
Baby, you can never hold back spring
And even though, you've lost your way
The world is dreaming, dreaming of spring
So close your eyes, open your heart
to the one who's dreaming of you
and, you can never hold back spring
Remember everything that spring can bring
Baby you can never hold back spring
Baby you can never hold back spring
*Tom Waits

Não é um sonho, juro, são apenas as minhas mãos
sobre a tua nudez
como uma sombra no deserto.
Joaquim Pessoa


criaturas, porque temos tanto de estranho quanto de belo.
e (para o bem e para o mal) é nelas que imprimimos aquilo que apenas a nós pertence.
terebintina, porque adoro o seu odor intenso a pinho. 
indizível, sem porquês.

metamorfose, porque implica movimento, transformação.
qualquer adjectivo seguido do sufixo ‘mente’. gosto, evidente-mente, de advérbios. surpreendente-mente não sei explicar porquê!

Celine: I guess when you're young, you just believe there'll be many people with whom you'll connect with. Later in life, you realize it only happens a few times.
Jesse: And you can screw it up, you know, misconnect.
Celine: The past is the past. It was meant to be that way.
Jesse: What, you really believe that? That everything's fated?
Celine: Well, you know, the world might be less free than we think.
Jesse: Yeah?
Celine: Yeah, when given these exact circumstances, that's what will happen every time: two parts hydrogen, one part oxygen, you get water every time.
Celine: There are so many things I want to do, but I end up doing not much.
Before Sunset, 2004
são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?

O enfermeiro passa por ela novamente, desta vez fita-a e ela retribui-lhe o olhar – “como são bonitas as suas mãos!” – pensa. Gosta de mãos de pele morena e dedos esguios.
E depois os velhos, outra vez os velhos – as mãos cheias de manchas, os nós dos dedos mais salientes, a pele enrugada que reclama um tempo, um tempo de inscrição, e tanto excesso parece revelar-se quase transparente!...
Senha 51.

ele: essas situações são arriscadas, “a ocasião faz o ladrão”.
eu: mas o que é que tu estás a dizer?
ele: que existem situações que podem influenciar o desenvolvimento de determinados acontecimentos, e tu és muito humana.
eu: ...hum...muito humana? queres dizer pecadora?
...
[universo paralelo]

E se
Formulássemos os desejos que desejamos
E se os caminhássemos de pés húmidos...*
a casa, Rodrigo Leão
* palavras rapinadas à margarete

olhando para os volumes que trazia na mão, exclamei: ‘vais comprar esse livro?? sobre o Mourinho??porquê??’
ele, com a tranquilidade que lhe é tão característica, responde: ‘porque a questão do paradigma da complexidade me interessa.’
......
interrompendo a sua e a minha leitura,
ele: ‘desculpa, então se, “ser-no-mundo é a constatação de que acção é primária, no-mundo estamos sempre e já envolvidos , a agir.” isso implica que estamos sempre a agir sem necessariamente reflectir no que estamos a fazer? então e quando ponderamos as nossas escolhas, isto também se aplica?’
eu: [espantada, até gaguejei (sim, porque afinal, ele estava a ler “aquele livro”)] '... sim..., ... sim, mesmo quando decides por um caminho pode surgir sempre algo que pode não ter sido ponderado e aí, reages. A nossa relação primária com o mundo é de utilidade.'
ele: 'pois, também já li essa questão da utilidade, e gostava de discutir aqui uma coisa...'
.......
útil-útil-seria-eu-reduzir-a-minha-arrogância!
o mote é banal: "haja saúde, alegria, entrega e coiso e tal",
mas convencer-me do contrário é difícil!
BOM ANO!

estou sentada sobre as ervas.
Todo o seu corpo é de água.
"HOJE, O ENJOO, A NÁUSEA, A AGONIA
[DO TEMPO...]
Curvo-me perante o espelho,
NÃO QUERO TER A TERRÍVEL LIMITAÇÃO
dos dias,
e ainda assim,I A M NOT CONCERNED WITH VERISIMILTUDE....
Com toda a serenidade escrevo:
"MENINA BONITA, ESTE POST É PARA SI"
e espero tornar mais brando o ardor
DA ESPUMA NA CARNE da menina criança, que ainda sonha.
Resgatada desta serenidade pelo eco de uma verdade nua e crua, que persiste em soar cada vez mais alto:
“E PERSUADIA-SE DE QUE ERA EQUILÍBRIO A FENDA QUE, EM SI MESMA, ASSIM ABRIA.”
Deixo-me ir...

Olho-me no espelho em queda lenta...
Afundo-me...
Afundo-me... lentamente e não faço nada para o contrariar
Quando quase chego ao fundo sou surpreendida pela emergência de uma [ODE to him]
sem perceber como, sou trazida à superfície abruptamente,
incompreensivelmente,

vejo-me de novo, curvada, prostrada, e ainda assim, insisto nas palavras:
... IN A MANNER OF SPEAKING
a imagem difusa no espelho apela-me:
NE DIS RIEN"
e persuadia-se de que era equilíbrio a fenda que, em si mesma, assim abria.
quando o corpo era já só um excesso que lhe pesava e,
em baixo,
havia aqueles que a olhavam,

ela não caía,

*a maior parte das vezes sem galochas.
este blog é a relação do que se faz ou do que sucede nos meus dias
um diário, portanto.
sobre mim, para mim...
e para mais uns quatro ou cinco que andam por aí.
em resposta à questão do tratado
I am not concerned with capturing reality,
I'm concerned with creating it myself. "
Eu: sim, claro!
Ele: não tenho outra maneira de te dizer isto...Ele deu um tiro na cabeça.
____________________________________________________________.
21:30, teatro maria matos, plateia, segunda fila, lugar B-3

não há Diogo Infante mas um Hamlet que representa as nossas contradições e angústias...
[Qual é então a essência do seu Hamlet?
Prende-se com aceitar algo que para mim é complicado e se relaciona com as minhas limitações, não só as cognitivas mas sobretudo as físicas. Com a minha finitude, a minha mortalidade. Relaciona-se com a consciência de que a minha essência se esgota no acto da morte. Hamlet violenta-se e obriga-se ao confronto com essa realidade. A partir do momento em que ele reconhece que nunca mais vai ver o pai tem, em termos simples, duas opções: ou age e mata, ou mata-se porque então nada faz sentido.]
in, Jornal Letras 13 Set. 2007
«Vai procurar a minha senhora e diz-lhe que, por mais pintura que ponha no rosto, é a este estado que irá chegar. Fá-la rir disso.»
*estamos todos juntos a representar no mesmo palco!
Teatro Maria Matos - Hamlet, de William Sakespeare, com encenação de João Mota. Tradução de Sophia de Mello Breyner.
Com:Albano Jerónimo, Alexandre Lopes, Ana Lúcia Palminha, Carlos Paulo, Diogo Infante, Gonçalo Ruivo, Hugo Franco, João Ricardo, João Tempera, José Oliveira, José Pedro Caiado, Miguel Sermão, Natália Luíza e Raúl Oliveira.

“Quando o primeiro contacto com algum objecto nos surpreende e o consideramos novo ou muito diferente do que conhecíamos antes ou então do que supúnhamos que ele devia ser, isso faz que o admiremos e fiquemos espantados com ele.
René Descartes, in 'As Paixões da Alma'
está dito então!
e é,orgulhosamente, colega de alguns ex-alunos :):):)
QUE NAO RESULTA EM VENCEDOR
de olhos fechados para a sua própria nudez, bela, nua, bela.


Egon Schiele, Standing Male Nude with Red Loincloth, 1914
Egon Schiele, Embrace. 1917
uma mulher.
Há dias assim, cheios de palavras que nos beijam *
Parabéns amiga, cá o esperamos com muito amor para dar.
* Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca.
Alexandre O'Neill
Ele disse: Sou um rio.
Ficaram em silêncio à janela
cada um à sua janela
olhando a sua cidade, o seu rio.
Ela disse: Não sou exactamente uma cidade.
Uma cidade é diferente de uma cidade esquecida.

Ele disse: Sou um rio exacto.
Agora na varanda
cada um na sua varanda
pedindo: Um pouco de ar entre nós.
Ela disse: Escrevo palavras nos muros que pensam em ti.
Ele disse: Eu corro.
De telefone preso entre o rosto e o ombro
para que ao menos se libertassem as mãos
cada um com as suas mãos libertas.
Ela temeu o adeus, disse: Sou uma cidade esquecida.
Ele riu.
Filipa Leal, A cidade líquida e outras texturas

Cesare Pavese- O OFÍCIO DE VIVER
[de volta a casa, ponto de situação da nossa silly season]
estrada Mogadouro-Miranda do Douro, Junho 2007
percurso pedestre Miranda do Douro- São João das arribas, Junho 2007
as escarpas e precipícios de xisto e quartzito
arribas do Douro zona do Picote, Junho 2007
uma paisagem rude e imponente tantas vezes decorada pelas copas de laranjeiras, limoeiros, olivais e vinhas
início do percurso pedestre Vale da Ribeira do Mosteiro, Junho 2007
Penedo Durão, Junho 2007
desta vez, perdidos entre paisagens graníticas
percurso pedestre Agarez-Arnal, Agosto 2007
aldeias dominadas pelo xisto e colmo
cascata do arnal , Agosto 2007
rio Olo e ponte medieval, Agosto 2007

Strange infatuation seems to grace the evening tide.
I'll take it by your side.
Such imagination seems to help the feeling slide.
I'll take it by your side.
Instant correlation sucks and breeds a pack of lies.
I'll take it by your side.
Oversaturation curls the skin and tans the hide.
I'll take it by your side.
tick - tock, tick - tock, tick - tock
tick - tick - tick - tick - tick – tock
I'm unclean, a libertine
And every time you vent your spleen,
I seem to lose the power of speech,
Your slipping slowly from my reach.
You grow me like an evergreen,
You never see the lonely me at all
I...
Take the plan, spin it sideways.
I...
Fall.
Without you, I'm nothing.
Without you, I'm nothing.
Without you, I'm nothing.
Take the plan, spin it sideways.
Without you, I'm nothing at all.
Placebo (and David Bowie)

hoje, ao ler-Te...

apeteceu-me deixar ficar a tocar baixinho:
Post editado depois do telefonema que me deixou um "amargo-doce" na boca:
oh tu pá... tu 'táza ouvir o que diz o Jorge ali em baixo? ;)
fim de tarde, torre central da f.c.s.h, 2º andar, sala 6, primeira sessão do curso - leitura do texto “A pergunta do Tiago” de Ann Margaret Sharp:
[Excerto do texto traduzido pela profª Dina Mendonça
“Não. Estava a pensar na professora Marta”.
“Mas eu já te disse que ela está bem, só que está a tomar conta do bebé dela”.
“Porque é que as pessoas têm bebés?” pergunto-lhe.
“Isso é uma pergunta muito interessante Tiago...” começa a dizer o professor João. (...)»]
Exercício: que perguntas nos suscita o texto. Uma única, a do Tiago.
hoje venho apenas dizer o quanto VOS QUERO BEM ;)
"Tudo o que vi, estou a partilhar contigo.
O que não vivi, hei-de inventar contigo".
«How is Blackle saving energy?
Blackle saves energy because the screen is predominantly black. "Image displayed is primarily a function of the user's color settings and desktop graphics, as well as the color and size of open application windows; a given monitor requires more power to display a white (or light) screen than a black (or dark) screen." Roberson et al, 2002
In January 2007 a blog post titled Black Google Would Save 750 Megawatt-hours a Year proposed the theory that a black version of the Google search engine would save a fair bit of energy due to the popularity of the search engine. Since then there has been skepticism about the significance of the energy savings that can be achieved and the cost in terms of readability of black web pages.
We believe that there is value in the concept because even if the energy savings are small, they all add up. Secondly we feel that seeing Blackle every time we load our web browser reminds us that we need to keep taking small steps to save energy.
We encourage you to set Blackle as your home page. This way every time you load your Internet browser you will save a little bit of energy. Remember every bit counts! You will also be reminded about the need to save energy each time you see the Blackle page load.
Help us spread the word about Blackle by telling your friends and family to set it as their home page. If you have a blog then give us a mention. Or put the following text in your email signature: "Blackle.com - Saving energy one search at a time".
There are a lot of great web sites about saving energy and being more environmentally friendly. They are full of great tips covering the little things that we can all do to make a difference today. Try Blackling "energy saving tips" or visit treehugger.com a great blog dedicated to environmental awareness.»
"Trago sangue para os vossos olhos...
Tenho artérias que se descosem e me cospem dentro de mim mesmo.
Vasco Gato, A PRISÃO E PAIXÃO DE EGON SCHIELE

...conteúdo latente (sem que isso tenha alguma importância de maior): devo estar deveras condicionada pela expectativa de receber um dos seus gulosos beijos com baba de rebuçado!
Nota especial para pessoas especiais (os meus meninos, claro):
muito, muito agradecida pela surpresa! :)

quiet down she said
speaking to the back of his head
on the edge of her bed
i can see your blood flow
your cells grow
hold still a while
don’t spill the wine
i can see it all from here
i can see
i can see
weather systems of the world
and every time you turn the soil
another cloud begins to boil
some things you say
are not for sale
i would hold that we’re
all free agents
of a substance or scale
hold still a while
don’t spill the wine
i can see it all from here
i can see
i can see
weather systems of the world

O Profundo Silêncio das Manhãs de Domingo, Manuel Jorge Marmelo
Mas podes arder. Para a tua temperatura sou mercúrio, li-
nhas de mão, lábio e sopro. Atravesso-te porque me atra-
vessas e onde somos corsários rendemo-nos ao encanto da
devolução.

Tu e eu à porta de um lugar que vai fechar tudo numa árvore.
Aqui onde os minutos são a rua em que nos sentamos toda
a tarde à espera do silêncio, onde o teu corpo pesa a me-
dida exacta do meu desejo.

enorme quantidade de calor. Tocas-me?

Ashes and Snow

If you come to me at this moment
Your minutes will become hours
Your hours will become days
And your days will become a lifetime
To the Princess of the Elephants (…)
I saw promises I did not keep
Pains I did not sooth
Wounds I did not heal
Tears I did not shed
I saw deaths I did not mourn
Prayers I did not answer
Doors I did not open
Doors I did not close
Lovers I left behind
And dreams I did not live
I saw all that was offered to me,
that I could not accept
I saw the letters I wished for,
but never received
I saw all that could have been,
but never will be
An elephant with his trunk raised
is a letter to the stars
A breaching whale is a letter
from the bottom of the sea
These images are a letter to my dreams (…)
I want to see through the eyes of the elephant
I want to join the dance that has no steps
I want to become the dance
I can't tell if you are getting closer or farther away
I long for the serenity I found
when I looked upon your face
Perhaps if your face could be returned to me now,
I would find it easier to recover
the face I seemed to have lost
My own
Feather to fire
fire to blood
blood to bone
bone to marrow
marrow to ashes
ashes to snow
feather to fire
fire to blood
blood to bone
bone to marrow
marrow to ashes
ashes to snow
feather to fire
fire to blood
blood to bone
bone to marrow
marrow to ashes
ashes to snow
feather to fire
fire to blood
blood to bone
bone to marrow
marrow to ashes
ashes to snow
feather to fire
fire to blood
blood to bone
bone to marrow
marrow to ashes
ashes to snow
feather to fire
fire to blood
blood to bone
bone to marrow
marrow to ashes
ashes to snow
The whales do not sing because they have an answer.
They sing because they have a song.
What matters, is not
what is written on the page,
what matters, is
what is written in the heart.
So burn the letters
And lay their ashes on the snow
At the river's edge
When spring comes and the snow melts
Return to the banks of the river
And reread my letters with your eyes closed
Let the words and the images
wash over your body like waves
Reread the letters,
with your hand cupped over your ear
Listen to the songs of Eden
Page, after page, after page
Fly the bird path
Fly
Fly
Fly
The Animal Copyright Foundation
There is that in me-
I do not know what it is-
but
I
know
in, "Song of Myself" Walt Whitman
Estamos no ano da graça de 2007,
não consegui deixar de pensar nas palavras de Cesariny:
"Há uma hora, há uma hora certa
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Há uma hora, desde as sete e meia horas da manhã
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Estamos no ano da graça de 1946
em Lisboa, a sair para, o meio da rua.
Saímos? Mas sim, saímos!
Saímos: seres usuais, gente gente! olhos, narinas, bocas,
gente feliz, gente infeliz, um banqueiro, alfaiates,
telefonistas, varinas, caixeiros desempregados
uns com os outros, uns dentro dos outros
tossicando, sorrindo, abrindo os sobretudos, descendo
aos mictórios para apanhar eléctricos,
gente atrasada em relação ao barco para o Barreiro
que afinal ainda lá estava apitando estridentemente,
gente de luto, normalmente silenciosa
mas obrigada a falar ao vizinho da frente
na plataforma veloz do eléctrico, em marcha,
gente jovial a acompanhar enterros
e uma mãe triste a aceitar dois bolos para a sua menina.
Há uma hora, isto: Lisboa e muito mais.
Humanidade cordial, em suma,
com todas as consequências disso mesmo
e a sair a sair para o meio da rua (...)”
Há uma hora, há uma hora certa, Mário Cesariny
de John Patrick Shanley.
1964. Uma igreja e escola católicas. Bronx, Nova York.
Um Padre é suspeito de assediar sexualmente uma criança de 12 anos.
A Madre Superiora acusa-o. O Padre reclama a sua inocência.
Será ele culpado ou inocente?
Interpretação: Eunice Muñoz, Diogo Infante, Isabel Abreu e Lucília Raimundo.
Teatro Maria Matos até 06-05-2007
Acompanhado pela densidade e tensão de uma banda sonora GRANDE.

"Quem não tiver a certeza de facto nenhum,
"Quem tentasse duvidar de tudo,
Da Certeza, L. Wittgenstein
wild is the wind

wild is the wind
Wittgenstein explicado às criancinhas
1.-Sentir presenças básicas: sentir acima e abaixo, à esquerda e à direita, à frente e atrás. Notar o Antes e o Depois, o Aqui e o Ali.
1.1.- E estar-se destacado no horizonte, erguido numa orientação vegetal - para a luz e o azul, escapando à treva e à terra. Sentir-se dirigido.
2.- Ver, como os animais. Numa direcção nova, que estabelece um paralelo aos pés, à lama. Igualmente sem fim - o término horizontal é o ponto imaginado para onde a visão me impele. Acolher o confronto com a outra direcção, o meu vértice, que me atrai.
2.1.- Observar a minúcia que obtenho a partir daquilo que é próximo. Coisas que identifico, coisas a que posso dar nomes. E nomes por onde as posso reconhecer. Como «cão», ou «árvore», ou «Ana», ou «Filosofia», ou «3/4», ou «Lisboa».
3.- É aqui que começo a pensar. Como utilizo eu um processo único para atribuir nomes tão semelhantes a coisas tão diferentes? E que são diferentes por tão inumeráveis razões (Quais serão? Poderei enumerá-las? Mas para que serve o número?).
4.- Pensando melhor, que posso fazer com os nomes? Falar contigo, se estiver disposto a isso (é uma forma de gastar o tempo), e dizer-te: «Gosto muito de ti», ou «Os polvos classificam-se na categoria dos octópodes», ou «Nunca mais chega, esse autocarro», ou então «Vê se te evaporas». Desde que fales a mesma linguagem.
4.1.- Senão, reservarei os nomes para uma qualquer utilização futura; se os escrever eles ficarão guardados, e o que significam. É um modo de alongar a memória - e uma forma de iludir o tempo que continua a passar. Quero dizer: uma forma de o negar: e ainda que eu não recorde, alguém recordará.
5.- Pensando melhor ainda: que faço eu quando utilizo os nomes que criei? Quero dizer, o que é que eu estou a fazer, quando faço isso? E o que é que estou a fazer, quando junto os nomes em frases? Quero dizer: de onde trago os nomes que só aparecem nas frases (se digo que «isto é aquilo», por exemplo)? Que querem eles dizer? Que quero eu dizer? Quero dizer o que penso? Aquilo que penso será aquilo que digo, os nomes? Será que penso com os nomes, quando julgo estar a pensar em meu nome?
6.- Se existe uma ética nisto, não vejo qual seja. Certas coisas não se podem dizer, têm de mostrar-se.
6.1.- Às vezes, imagino-me por detrás de um véu que transparece entre mim e o mundo. É um véu onde se encontram todos os nomes, sustentados por débeis fios que os ligam a todas as coisas; e mantidos entre si por fios ainda mais débeis. Na minha imaginação, são todos esses fios que acabam por tecer o véu, véu que me separa das coisas, coisas (o que eu vejo e quero e toco e sinto) que estão sempre para além do véu, o que me causa uma certa ânsia.
6.2.- Em suma, julgo que apenas devemos dar importância às coisas que são realmente importantes. Isto parece-me lógico. O resto não vale a pena - só motiva um esforço vazio e tonto, que sempre traz grandes confusões e sarilhos. Porque, mesmo quando nos expressamos na mesma linguagem, nem sempre falamos a mesma língua. Nem sempre partilhamos um só entendimento acerca de cada estado das coisas. E a discussão é, assim, inevitável. Parece-me mais saudável estar prevenido - ser claro em tudo na linguagem. Por higiene. Para evitar embaraços. Como o flúor afasta os germes, assim eu afastarei as expressões confusas.
6.2.1.- Por outro lado, devo ser mais construtivo e optimista. Devo encarar isto como um jogo: falamos a mesma linguagem, mas o que fazemos com ela pode não ser concordante. E por vezes, se calhar, não pode mesmo ser concordante. Podemos dar por nós, então, a meio de uma conversa de surdos; num jogo onde cada um altera a regra a cada instante. Sem possibilidade de uma saída conjunta, sem um final feliz. Uma conversa que se pode tornar interminável. E um jogo que seria o passatempo total.
6.2.2.- As combinações possíveis! O número! Tempo não me falta, para o cálculo. Se tivesse vontade, podia procurar a fórmula ideal para o jogo, a fórmula ideal para mim, o lance que me permitiria sempre a certeza da jogada porque certeza é coisa que nunca tive (conheço o nome).
6.2.3.- Ressalva. Que me queimo se puser a mão no fogo: eis o que é certeza.
6.3.- Exceptuando o que é matemático (o que se repete), sempre que falo e afirmo, o que quero dizer é que sinto que tem que ser assim. Não me tomo por um iluminado, confesso até um certo pendor para o oculto. Mas a minha tendência vertical diz-me que não e a minha tendência animal diz-me que sim. Cruzado em duas direcções, não me decido entre o meu vértice e o meu vórtice, o céu e a lama. Não sei ser herói, nem mártir, nem santo, nem herético. São assuntos sobre os quais não me pronuncio, porque suponho que aquilo de que se não pode falar deve calar-se.
7.- No fundo, além de ti não existem mistérios: somente problemas indecifráveis. Se estiver bem disposto ao jogo, e tu, podemos desenvolver um outro estado para as coisas. Podemos conversar, passar o tempo. Enfim, ter relações.
© Jorge P. Pires
(publicado originalmente no semanário Blitz nº 244, 4 de Julho de 1989)


Jean-Marc Boujou/AP (in arquivo Dossier, Público)
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Não nasci, que me recorde, de sítio algum. Se o fiz foi contra a minha vontade.
Andrew Bird dia 31 de Maio no São Jorge :)

comovidos e mudos.
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos,
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e do que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.





diz a verdade sobre a intervenção
na cósmica escolha dos casais,
a obrigação de nos obedecer

não fosse o universo desentender quem
somos e favorecer a separação ou,
pior, o não nos havermos conhecido

Photos de B Berenika,
Poema de Valter Hugo Mãe,
Música de Paulo Praça do álbum "Disco de Cabeceira" (video-clip aqui)

e então são os meus
e são meus dedos
que vai sorvendo os lábios
Ardência funda
E todo o corpo
E todo o corpo
que a febre toma


Senti os cheiros, os sabores, o frio e o quente.

Nas mãos,
sinto ainda a rugosidade das linhas.
Nas lágrimas,
bebo a alegria pelo que encontro dentro de mim e regresso.
Quando eu tinha 18 anos, alguém me descreveu Leonard Cohen assim: "ele tem umas letras muito poderosas, muito poderosas mesmo". Isto só por si, poderia não dizer nada...
Hallelujah é uma das minha músicas preferidas. Comove-me, comove-me muito.
Oiço-a com muita frequência e em várias versões.
Julgava conhecer as melhores, até descobrir a do Jeff Buckley:
s. m.,
perda de equilíbrio;
falta de equilíbrio;
falta de harmonia, de proporções entre as várias partes de um todo;
desarranjo das faculdades mentais.

II par - nervo óptico - responsável pela visão. É um nervo com um longo trajecto, desde a região occipital (onde se situa o centro da visão) até à retina (no globo ocular). Diferentes alterações da visão são indicativas de lesões em diferentes locais da via óptica, logo em diferentes locais do cérebro.
III par - nervo motor ocular comum - responsável pela inervação de alguns dos músculos extrínsecos do olho (faz os olhos desviarem-se para dentro), pela miose (encerramento da íris) e pela abertura das pálpebras.
IV par - nervo patético - responsável pela inervação do músculo grande oblíquo do grupo dos músculos extrínsecos do olho (faz o olho desviar-se para fora).
V par - nervo trigémeo - formado por duas raízes (partes): uma raiz sensitiva (responsável pela sensibilidade da córnea, conjuntiva, meia anterior do couro cabeludo, da hemiface (metade da face) do lado oposto excepto o ângulo do maxilar inferior e dois terços anteriores da língua e mucosa nasal e bucal) e uma raiz motora (responsável pela inervação dos músculos que movem o maxilar inferior, músculos mastigadores).
VI par - nervo motor ocular externo - responsável pela inervação do músculo ocular externo, do grupo dos músculos extrínsecos do olho. A sua lesão é rara.
VII par - nervo facial - responsável pela oclusão das pálpebras e pela mímica facial (enrugar a testa ou sorrir, por exemplo).
VIII par - nervo auditivovestibular - formado por dois nervos: o nervo auditivo, responsável pelo sentido da audição e o nervo vestibular, responsável pelo equilíbrio.
IX par - nervo glossofaríngeo - responsável pela inervação dos músculos da língua e faringe. Tem acção na deglutição (capacidade de engolir) e produção da voz.
X par - nervo pneumogástrico ou vago - responsável pela inervação dos músculos do aparelho gastrointestinal.
XI par- nervo espinal - inerva os músculos do pescoço (músculo esternocleidomastoideu e parte superior do trapézio).
XII par - nervo grande hipoglosso - responsável pela inervação motora (que faz mover) da língua.

José Gil, Portugal, Hoje O Medo de Existir

She'd stare at you for hours,
But after winning the local staring contest,
Tim Burton's The Melancholy Death of Oyster Boy
- Qual é o filme stora?
- É um filme do Kusturica... (desta vez, a substituir os habituais:"ku quê?"), oiço:
- É o Gato Preto Gato Branco? Fixe!
Assim são os meus alunos este ano :) :)

O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.
[Eu provavelmente morro com o fim da luta
mas se te faz feliz eu paro
e recomeço com um ódio de amor que não nos faça tanto mal...
Que não nos torne mais amargos e nos deixe sem dúvidas.
Eu provavelmente morro com o fim da luta mas se te faz feliz...]
"Do you mean that you think you can find out the answer to it?” said the March Hare.
“Exactly so,” said Alice.
“Then you should say what you mean,” the March Hare went on.
“I do,'” Alice hastily replied; “at least-at least I mean what I say-that's the same thing, you know.”
“Not the same thing a bit!'" said the Hatter. “You might just as well say that ‘I see what I eat’ is the same thing as ‘I eat what I see’!”
“You might just as well say,” added the March Hare, “that ‘I like what I get’ is the same thing as ‘I get what I like’!'”
“You might just as well say,'” added the Dormouse, who seemed to be talking in his sleep, “that ‘I breathe when I sleep’ is the same thing as ‘I sleep when I breathe’!'”
“It IS the same thing with you,” said the Hatter, and here the conversation dropped, and the party sat silent for a minute, while Alice thought over all she could remember about ravens and writing-desks, which wasn't much.
Alice's Adventures in Wonderland CHAPTER VII - A Mad Tea-Party, Lewis Carroll
não me sai da cabeça...]
Everybody rolls with their fingers crossed
Everybody knows that the war is over
Everybody knows the good guys lost
Everybody knows the fight was fixed
The poor stay poor, the rich get rich
That's how it goes
Everybody knows
Everybody knows that the boat is leaking
Everybody knows that the captain lied
Everybody got this broken feeling
Like their father or their dog just died
Everybody talking to their pockets
Everybody wants a box of chocolates
And a long stem rose
Everybody knows
Everybody Knows, Leonard Cohen by Rufus Wainwright
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill
[Caixa de velocidades]*

Ponto Morto
Quando no ventre da mãe a semente que cresce já diz: deixa-me ficar só mais um bocadinho.
Primeira
Se chora é porque está viva.
Segunda
Cai do berço, aprende a dizer pai e mãe, vai para a escola e dizem-lhe como se mete o mundo numa folha de papel.
Terceira
Quando o coração pronuncia, pela primeira vez, a paixão que a pele declama.
Quarta
Colisão a grande velocidade. Choque frontal. Pensa que está morta, a semente, mas o Dr. House não deixa. Cabrão!
Quinta
A tragédia do amor representada no palco da morte. A comédia da morte representada no palco do amor.
Marcha-Atrás
Regressa ao ventre da mãe, de onde só saiu para poder dizer: deixa-me ficar só, mais um bocadinho.
*Henrique Manuel Bento Fialho, na Minguante nº4
what else is there?
[O poeta beija tudo, graças a Deus... E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade...
E diz assim: "É preciso saber olhar..."
E acha que tudo é importante...
E escreveu uns versos que começam desta maneira:
"O segredo é amar..."]
- a pseudo-humildade é uma atitude que me deixa desconfortável,
mas a arrogância intelectual, por vezes, desperta-me os instintos mais primitivos.
Desanimam-me os radicalismos, alegram-me os debates civilizados.
Não.
- Os argumentos do Sim sustentam-se nas suas premissas?
Não.
- Alguma das posições apresentadas se sustenta em argumentos racionalmente válidos, neste sentido, capazes de excluir os argumentos contrários?
Não.
-Analisados os argumentos que sustentam as duas posições podemos afirmar que, na generalidade, ambos se sustentam em sentimentos e predisposições subjectivas?
SIM.
- A lei existente no nosso país é absolutamente inconsistente?
SIM.
- Do reduto da minha subjectividade - pergunto e respondo, alterar a actual lei possibilita uma mudança neste estado de coisas?
SIM.


a voz, o riso, a alegria, a dor - nela tudo parece absurdamente generoso
me deixas louca
atrás da porta
águas de março
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Eugénio de Andrade

"Tenho que escolher o que detesto - ou o sonho,
que a minha inteligência odeia,
ou a acção, que a minha sensibilidade repugna;
ou a acção, para que não nasci, ou o sonho, para que ninguém nasceu.
Resulta que, como detesto ambos, não escolho nenhum;
mas, como hei-de, em certa ocasião,
ou sonhar ou agir,
misturo uma coisa com outra."
Livro do Desassossego, composto por Bernardo Soares,
ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa
“As years go by
All the feelings inside
Twist and they turn
As they ride with the tide
I don't advise
And I don't criticise
I just know what I like
With my own eyes
Sometimes”
“Did I disappoint you
Or leave a bad taste in your mouth?
You act like you never had love
And you want me to go without
Well, it's too late
Tonight
To drag your past out
Into the light”
“Well, I got us on a highway and I got us in a car
got us going faster than we've ever gone before
I got us on a highway and I got us in a car
got us going faster than we've ever gone before”
Sometimes interpretation sucks!
Pudesse eu não ter laços nem limites
Óh vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes
Sophia de Mello Breyner Andreson



































































































